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Algo que muito acho curioso é a hipocrisia virtual. Não que longe dela seja diferente, mas, acreditamos que, já que podemos usar máscaras, no ambiente não real não seremos hipócritas. Pelo contrário, é algo intrínseco. O outro pode não nos ver, mas nós sabemos quem somos.

Quem, como eu, não está cansado dessa profusão de “correntes” que aparecem em redes sociais, muitas vezes sem pedir nada, mas esperando para serem divulgadas? Afinal, o que mais lemos por aí são críticas ao nosso modo de viver, à corrupção, ao desmatamento desenfreado etc. O que isto muda? Absolutamente nada. É o famoso fala e não faz.

Já tentei questionar o porquê de compartilhar de forma tão pueril estas informações e só recebi reações um tanto sórdidas. Ora, mas não é muito fácil achar que isso é suficiente sem ninguém ter coragem para realmente fazer algo? Afinal, cedo ou tarde as atitudes deveriam tomar forma. Todaviam, se não dão certo, “não é de minha responsabilidade”.

Eu não me coloco longe disso. Não compartilho frases moralistas através do Facebook nem do Twitter. Nem por isso deixo de ser hipócrita. Apenas, ao assumir que seremos sempre hipócritas, em maior ou menos grau, acredito que seremos ao menos honesto. Só porque acho que o outro deve agir de tal modo não significa que eu mesmo deva ser assim. Ou será que sim? Afinal, eu sou diferente dos outros, eu estou preso à minha idiossincrasia, logo me julgarei de maneira diferente – talvez serei até mais rígido para comigo mesmo. Isso não é uma defesa de qualquer tipo de atitude abusiva, longe disso. Entretanto, embora persiga a mais nobre utopia de igualdade aceito o facto de termos nossas diferenças. Isto não contribuirá para um mundo mais tolerante?

Mas que somos hipócritas, sim, somos. E quanto mais usamos máscaras, mais me parece que ela torna-se mais forte, mais falsa, mais real.

Até,

Búfalo

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