Olho para a Lua. Ela não reflete nada. Como um espelho quebrado, vejo tortuosas imagens. Vislumbro as comemorações de Natal por um cantinho do espelho quebrado. Nem precisava de mais: todo ano tudo se repete, as comemorações retomam seu ciclo, os texto são exatamente os mesmos. Uma pequena imagem e já reconheço. Olho para a Lua e não me vejo. Onde estarei? Nem a Lua é capaz de me sugar. Nem ela atrai-me. Mesma quebrada ela brilha. Brilha por si só. Engano meu. Brilha pelo Sol. Mas dias desses nem o Sol a apoiará.

Olha para a Lua. Está magnífica. Já é Natal. As ruas estão enfeitadas, a neve completa a decoração. Todo aquele brilho do Natal. Todo aquele sentimento. Igual. Mas que nos satisfaz. Aqueles sentimentos que se repetem, mas tão bons. Dou uma volta, cumprimento o senhor do mercado, atravesso a praça, onde casais se encontram, desfrutando o Natal. Eu, aqui, só. Passo por tudo. Efêmero. Minhas pernas me levam para algum lugar. Paro à beira do lago. A Lua está ali refletida. O lago reflete pedaços quebrados dela. A Lua reflete pedaços partidos. Ou um mundo partido? Um Natal distorcido? Mas não me reflete. Onde estou? Em mim mesmo, escondido em algum lugar.

Encontro uma garota. Saímos. Passamos o Natal.

A Lua não reflete nada, o Natal se repetiu como todos os anos. Aproveito-o.

Feliz Natal,

Até mais,

Búfalo