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“A vida humana é finita. No entanto, a aceitação da morte está sumindo lentamente do nosso horizonte simbólico, cultural e social por conta das conquistas sucessivas das ciências biomédicas.” Com estas frases, inicia-se o último texto de Gilberto Dupas, publicado pelo Estadão, da qual era colaborador.

Morreu, ontem, aos 66 anos, Gilberto Dupas. Para quem não o conhece, Gilberto Dupas era analista político, economista, escritor e colaborador do jornal O Estado de São Paulo. Trabalhou em diversos órgãos importantes, presidindo a Caixa Econômica do Estado de São Paulo – atual Nossa Caixa e assumindo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Fundou o Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI), sem fins lucrativos, da qual foi presidente por oito anos, só para citar alguns.

Dedicou-se ao estudo de tudo que era de natureza humana, questionando empresários quee organizam suas empresas por demissões. Dedicou-se a muito mais do que simpleste economia. A tudo que era da natureza humana. Em seu último livro, O Incidente, Dupas fala de uma forte nevasca em que pessoas ficam presas em uma cabana e acabam revelando histórias suas. É visto como uma metáfora sobre a doença que sofria e o levou a morte, um câncer de pâncreas. Era um ótimo escritor.

Em seu último artigo publicado pelo Estadão, o economista e escritor fala da dificuldade e obcessão de aceitar a morte.A busca por métodos cada vez mais eficazes para a imortalidade acabaram por gerar uma dificuldade social de aceitá-la. Pacientes ficam mantidos a fios, tubos e aparelhos, agonizando, a espera de um tratamento. A vontade de imortalidade se revela em nomes de ruas, prédios, praças. Segundo o autor, o prêmio Nobel de Física Norbert Wiener e o sociólogo William Sims Bainbridge disseram que logo poderemos gravar nossas recordações em um CD [minha dúvida – será isto positivo?].

Stanley Shostak, em Becoming Immortal,  propõe modificar geneticamente o desenvolvimento humano antes da puberdade para que assim pudessem viver indefinidamente. Você seria maduro intelectualmente, mas fisica e sexualmente imaturo. Não teria filhos (afinal, numa sociedade imortal não há necessidade de filhos). Uma contradição às Leis da Natureza. Será isto correto? A vontade de imortalidade se sobrepõe a do desenvolvimento sexual tão difundida? Um homem não tão homem, uma mulher não tão mulher – meio a meio. Individualismo com o desenvolvimento humano e natural.

Além de inquestionável economista, inquestionável visionário. Vale a pena ler seus livros e artigos. Não os coloco aqui pois existem os direitos reservados.

Até mais,

Búfalo