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A porta bate, bate novamente, insiste. Ninguém abre. O cheiro de rosas enche esta porta, flutuando por uma mão. Silêncio. A campainha toca, agora, impacientemente. Nada. No quarto de cima percebe-se movimentos, pressa, uma luzinha acesa. Não falei ainda, mas já era noite. Também estou cá frente a porta, mas ninguém me notou. Observo a situação. Estou curioso com o que está a decorrer. Na minha opinião alguém lá em cima está se trocando. Tenho a impressão de que é um encontro ou algo do tipo.

Uma voz um tanto aguda chama pela pessoa lá de cima. “Amor!Amor!”. Volta pro carro, um conversível anos 80, abre o porta-luvas, retira o perfume, se olha no espelho, dá uma arrumada geral e vai lá para a porta. Esta pessoa está enfurecida, sai pisando firme, quase bufando. Quando, não, não tropeçou no degrauzinho da porta, a porta se abre.

“Desculpa a demora amor, acabei de ficar pronto.”

“Mas uma vez, né?!? Tá bom, vai, vamos.”

O rapaz tinha ficado pronto. Os dois se beijam, ele guarda as rosas, entram no carro e se vão. Vão para algum lugar distante de onde não pude acompanhar.

Tempos depois descobri melhor sobre eles: enfim casados. A mulher, uma bem sucedida executiva, romântica, ficou impaciente com a falta do mesmo do namorado. Resolveu bancar a romântica. O homem, vaiodoso, adorava se cuidar, enrolava para se aprontar. Também tinha um ótimo emprego, mas era ele quem cuidava da casa.

Deram certo! Um ótimo casal.

Até mais,