A maldição de Macbeth

21 07 2009

“Tens medo de nos atos (…) mostrar-te igual ao que és nos teus anelos?”  Ato I – Cena VII: Lady Macbeth

Macbeth

Macbeth

Macbeth, mais numa peça de William Shakespeare, traz várias histórias interessantes. A obra foi escrita em algum ano entre 1603 e 1607 (incluindo estas datas), não se sabe ao certo. Basicamente, ela conta a história de um regício.  Quando dois generais, Macbeth e Banquo, estão voltando de uma batalha vitoria  se deparam com três bruxas que fazem três profecias à Macbeth e uma a Dunquam.

A primeira delas ocorre logo em seguida. Assim que as bruxas desaparecem chega um mensageiro dizendo que o rei havia concedido o título “thane de Cawdor” à Macbeth. Com isso Macbeth começa a acreditar nas outras profecias:  “thane de Glamis” e de que seria rei, o que o leva a  ambicionar tal posto, então na mão do rei Duncan, da Escócia.

Este é uma introdução bem mal feita. Existam tantas por aí. Podem encontrar até na Wikipedia uma sinopse muito boa. Caso dissesse mais poderia também estragar a história.

Voltando ao motivo do título, esta peça foi a menor de Shakespeare e é dita amaldiçoada. Evitam até de mencionar seu nome, chamando-a de “A peça escocesa” (The Scottish play). Cada encenação da peça está repleta das histórias sobre a maldição. Deve ser um assunto recorrente, menciona o nome e já vêm histórias.

Na peça escocesa, após Macbeth matar o rei, ele é acometido por uma maldição: perde o sono, pois fica achando que a qualquer momento será descoberto o crime que cometeu.

Não poderia deixar de comentar sobre esta obra shakespeariana. Ainda mais com o título do blog vindo justamente de uma peça de Shakespeare. Já escrevi um post sobre Hamlet, com o texto onde aparece a famosa frase, Ser ou Não Ser?, vocês podem lê-lo aqui.

Na Wikiquote podem conferir o texto em inglês de Macbeth. Não encontrei em português nenhum que recomendasse. Há uma no Domínio Público, mas não gostei muito da tradução. Caso alguém saiba, poste aqui o link.

Um trecho:

-Em Português (tirei do site do Ze Carlos Frases – a tradução deste texto ficou muito boa – e não sei de onde ele tirou):

Seyton : A rainha, meu senhor, está morta.

Macbeth :

Deveria ter morrido mais tarde.
Haveria, então, lugar para uma tal palavra.

O amanhã, o amanhã, o amanhã,
avança em pequenos passos,
de dia para dia,
até a última sílaba da recordação,
e todos os nossos ontens
iluminaram para os loucos
o caminho da poeira da morte.

APAGA-TE, APAGA-TE, TOCHA FUGAZ !!!

A VIDA NÃO É MAIS
QUE UMA SOMBRA QUE PASSA .
UM POBRE PALHAÇO QUE SE PAVONEIA
E SE AGITA UMA HORA EM CENA,
E, DEPOIS, NÃO SE OUVE MAIS FALAR DELE.

A VIDA É UMA HISTÓRIA
CONTADA POR UM IDIOTA,
CHEIA DE SOM E DE FÚRIA,
SIGNIFICANDO NADA
” Macbeth, ato v, cena v

 

-Em Inglês (tirado do Wikiquote):

She should have died hereafter;
There would have been time for such a word.
Tomorrow, and tomorrow, and tomorrow
Creeps in this petty pace from day to day
To the last syllable of recorded time;
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death. Out, out, brief candle!
Life’s but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage,
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.
“ 
Macbeth, act v, scene v

Espero que gostem.

Até mais,

Búfalo





“Ser ou não ser, eis a questão” – Versos de Shakespeare

30 09 2008

Transcreverei um verso de  A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca, na qual relata a dor e o o sofrimento de Hamlet quando descobre as ações de seu tio para possuir o trono da Dinamarca. O tio matou seu pai e ainda engravidou a mãe.

Neste verso apareça a famosa frase de Shakespeare “To be or not to be, that’s the question” que é a uma grande inspiração para a criação deste blog, como podem perceber pelo titulo:

“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir… é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.
(…)”

Tradução foi retirado da Wikipedia. Segundo consta, tradução de SILVA RAMOS, Péricles Eugênio da”. Hamlet Editora Abril, 1976. ISBN.

Aos que prefirem a versão original destes versos de Hamlet, Prince of Denmark :

“To be or not to be, that is the question;
Whether ’tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune,
Or to take arms against a sea of troubles,
And by opposing, end them. To die, to sleep;
No more; and by a sleep to say we end
The heart-ache and the thousand natural shocks
That flesh is heir to — ’tis a consummation
Devoutly to be wish’d. To die, to sleep;
To sleep, perchance to dream. Ay, there’s the rub,
For in that sleep of death what dreams may come,
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause. There’s the respect
That makes calamity of so long life,
For who would bear the whips and scorns of time,
Th’oppressor’s wrong, the proud man’s contumely,
The pangs of despised love, the law’s delay,
The insolence of office, and the spurns
That patient merit of th’unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin? who would fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death,
The undiscovered country from whose bourn
No traveller returns, puzzles the will,
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all,
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o’er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pitch and moment
With this regard their currents turn awry,
And lose the name of action.”

 Sem dúvida um grande verso. Poderei tentar alguma divagação, como sempre faço, mas, se o tentasse ,perderia a profundidade dos versos. O próprio texto já nos passa a sua riqueza. Espero que gostem do verso.

E já que estão aqui vocês podem conferir os posts mais recentes.

Grande abraço,

Búfalo